Lavaredo


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Um pouco do meu palmarés

UM POUCO DO MEU PALMARÉS.
Data de Nascimento:  19/12/1946

Quando era menino e queria estudar após a conclusão do ensino primário, os meus pais não o permitiram. Tinha cinco irmãos mais novos e o dinheiro apenas dava para se comer sopa dia após dia, ano após ano.

Nesse sentido, com apenas 11 anos e 35 kg de peso foi comprado um bilhete de comboio em Vila Nova de Cerveira e fui “despachado” para Lisboa, para trabalhar. Era uma boca a menos e sempre havia mais uns míseros escudos mensais a entrar em casa de meus pais.


Não tive adolescência, passei de menino a homem. Mas tive sonhos como qualquer menino, adolescente ou adulto. O meu sonho consistia em poder tornar-me num campeão a nível de desporto. Sonhei poder ser um grande futebolista, ou um grande jogador de hóquei patins, ou ainda um grande ciclista.


E com esse sonho sempre presente os anos foram passando, até que, com 16 anos surgiu a oportunidade de ingressar numa grande empresa de Telecomunicações. A função era percorrer a cidade de Lisboa em cima de uma bicicleta 8 horas/dia, entregando telegramas.


Claro que aproveitei logo essa oportunidade porque poderia ter finalmente oportunidade de construir a tal carreira de campeão.


Em 1963 comprei uma bicicleta de corrida topo de gama, tendo custado 4.300$00 (21.50€) Ficando a pagar uma prestação mensal de 150$00 (0.75€). Ingressei numa equipa de ciclismo (Marconi), tendo passado pouco tempo depois às competições. Percorri o país todo a competir em circuitos e corridas de estrada. Ganhei algumas, proporcionei a que colegas de equipa ganhassem outras e, sobretudo, contei sempre para a classificação da equipa.


Apesar da minha aparente fragilidade “escondia” uma força incrível e depressa me impus. O meu principal trunfo eram as subidas. Recordo-me ainda (com saudade) da última corrida que fiz, tendo na minha “roda” o saudoso Joaquim Agostinho que se viu “grego” para me acompanhar na subida da Serra do Arestal. Seguiram-se as equipas do Belenenses, Atlético e Benfica. Esta última muito pouco tempo. Tinha acabado de assinar contrato quando fui chamado para o serviço militar, tendo sido colocado na Figueira da Foz.


Aos fins-de-semana, aproveitava para treinar, fazendo a viagem Figueira da Foz/Lisboa e volta. 


Após fazer a recruta e tirar a especialidade, fui mobilizado para a guerra colonial em Angola.  por esse motivo, terminou aí a minha carreira de ciclista.


Quando mais de 3 anos depois regressei da guerra, não me senti com coragem para recomeçar, acabando aí a minha (curta carreira) de ciclista. Com 23 anos iniciei uma longa carreira de xadrezista competindo em Portugal e alguns países Europeus. Foram 17 anos encerrado em espaços fechados durante cerca de 4 horas, com uma média de 16 Atletas a fumar, muitas das vezes em simultâneo (eu consumia 100 maços de tabaco/mês). Aos 39 anos (apenas fumava cerca de 30 cigarros/dia) rompi drasticamente com o tabaco. Nem mais um cigarro.


Troquei o tabaco pelo Atletismo! E em boa hora o fiz. Comecei a correr sendo treinado por um treinador profissional, obtendo rapidamente bons resultados desportivos.


Desde essa altura, ganhei praticamente tudo que havia para ganhar, participei em centenas de competições. Entre elas vou destacar apenas algumas que considero mais importantes:


6 – Meias maratonas da Nazaré (a mais antiga meia maratona de Portugal)


13 – Meias maratonas de Lisboa


7 – 20Km de Cascais


6 – Meias maratonas de Sevilha (recorde pessoal 1h17


5 – Meias maratonas de La Guardia (ganhei 4)


4 – Subidas (24 km) ao ponto mais alto da Península Ibérica (ganhei uma)


4 – Maratonas País Basco


5 – Maratonas na Serra de Guadarrama (maratona de montanha mais difícil do Mundo, ganhei uma)


13 – Participações em Terras de Aventura/Desafios xxxx


2 – Vezes Campeão Nacional de Montanha (tendo numa das vezes vencido com um pleno nas classificativas, 12 corridas, 12 vitórias.)


2 - Maratonas de estrada.


Vários Trails e Ultra Trails em Portugal e Espanha. (Rio da Fraga 3,  Galinheiro 3,  1 Courel,  1 Ilha de Arousa, etc.)


1 - Ultra Trail do Piodão (1º Escalão)


2 - Trilhos do Paleosoico (ambos 1º no Escalão)


1 - Alvarinho Ultra Trail (1º Escalão)


1 – Ultra Maratona de estrada 100 Km (18º geral, 1º no escalão)


1- PENEDA GERÊS TRAIL ADVENTURE 280km, Finisher!!! (11º geral 1º escalão)


1 - LAVAREDO ULTRA TRAIL 119 Km, Finisher (636 geral entre 950)



E por último, o grande sonho da minha vida, o TOR des GEANTS. Apesar de estar muito bem preparado, aos 187 Km’s tive uma lesão, tendo sido retirado da prova. Foi a maior desilusão em toda a minha vida! Um trauma do qual ainda não superei. Por isso, estou a tentar por todos os meios arranjar patrocínios (este blog é um exemplo), que me permitam no dia 13 de Setembro estar na linha de partida em Courmayeur, para completar os 332,530 Km’s.

Independentemente de conseguir ou não os apoios necessários para a participação, a partir do dia 1 de Janeiro próximo, iniciarei a minha preparação sonhando e apostando estar lá!!!!!
De facto comecei a preparação para o TdG no dia 2 de Janeiro e vou mesmo estar em Crourmayeur no dia 13 de Setembro para completar o que fui impedido de fazer em 2014!!!!!


E de facto em 13 de Setembro lá estive à partida, debaixo de muita chuva, muito vento e muito frio. Durante a noite de Domingo para 2ª feira, para além destes 3 factores, apareceu um 4º - a neve – que suspendeu o evento por 3 horas. A meio do dia de 2ª feira foi suspenso por mais 8 horas, tendo sido definitivamente suspenso um pouco depois de recomeçar.

Porque o regulamento não permite, só em 2017 (70 anos de idade) lá estarei na partida de novo!!!

GOSTARIA DE ACRESCENTAR UM EVENTO RELEVANTE NA MINHA CARREIRA DESPORTIVA:

Em 1999 dei início à organização e direcção de 10 corridas de Montanha em Vila Praia de Âncora em que a primeira teve o nome de "MONTES DE STO. ANTÃO A CAMINHO DE CAMINHA", e as restantes nove "MONTES DE STO. ANTÃO - O CALVÁRIO". 
Evento que logo na segunda edição juntou mais de 300 Atletas (o que era um numero muito elevado para a época) chegando a participar mais de 450 Atletas!


Continuando com o enriquecimento curricular, este ano de 2016 mais dois ou três eventos que considero mais importantes:

2º- PENEDA GERÊS TRAIL ADVENTURE 274km, Finisher!!! ( 1º escalão)

Ultra Trail Lavaredo 119 km não finisher devido a lesão (terminei aos 75 km).

4K Alpes Italianos. 349 km não finisher devido a lesão (cirurgia não recuperada)

Campeonato do Mundo de Ultra Trail 85 km sempre a acompanhar o último Atleta

3ª Geres Extreme Marathon. Finisher (1º Escalão)

E para 2017 outros desafios terão lugar, nomeadamente PGTA, Estrela Grande Trail 109 km, Ultra Trail Serra da Freita  100 km,  Tor des Geants, Geres Extreme Marathon, etc.

E já estamos em 2017. Tal como previa no ano passado, desafios de relevo já fiz um:
Peneda Gerês Trail Adventure. 220 km já concluído e finisher.
O ano de 2017 não foi um bom ano em termos desportivos. Fui assolado por várias lesões. Estava em perfeita condição física e anímica para fazer o EGT (109 km). Na subida para a Torre, perto dos 60 km', encontrei um colega sentado numa pedra contorcendo-se com dores. Claro que não mais o deixei até aparecer socorro (apesar da insistência para que me fosse embora) o que aconteceu mais de 2 horas depois. Fiquei pela Torre.

Em Setembro dia 1, depois de ter treinado afincadamente desde o dia 2 de Janeiro para o Tor des Geants e cumprindo religiosamente o plano traçado, Faço uma ruptura no gémeo. Faltavam apenas 9 dias para o grande evento. Fisioterapia, em "dose" industrial, e a 10 de Setembro, perfeitamente convicto que não tinha qualquer hipótese de concluir, lá estive à partida na companhia do Carlos Sá e dos outros 3 Portugueses seleccionados. O gémeo ainda me deixou chegar ao 1º suporte base de vida (50 km). Aí ligaram-me a perna (imobilizando-a e foram levar-me ao início do evento....

Digno de registo, apenas fiz em Dezembro a Extreme Geres Marathon após ter saído de da ruptura no gémeo 10 antes da Maratona. Mas, 5 dias antes de começar, uma gastrenterite deixou-me de segunda a sexta feira a soro e apenas bebidas.
Mas fui finisher apesar de ser mesmo o último atleta a cortar a meta...

Em 2018 fiz e concluí o Foz Côa Douro Ultra Trail, seguindo-se o Trail de Gondar em Abril, em Maio o PGTA 7 dias, em Julho estágio em altitude (falta escolher o local), em Setembro por enquanto é segredo, em Outubro poderá ser novamente o FCDUT e em Dezembro para continuar totalista, a Extreme Geres Marathon...

Continuará....


12 Novembro 2014
actualizado em Abril de 2018




12 Novembro 2014

Quim Sampaio

domingo, 1 de abril de 2018

DUVIDA.

Não acredito em Bruxas, mas será que as há?


Desde 2014 que quando se aproxima um grande evento e faço questão em ir, acontece sempre algo que condiciona ou impede a minha presença.

Foi assim nas 3 tentativas de conclusão do Tor des Geants em 2014, 2015, 2017.

 Foi assim no 4 K em 2016.
Tor des Geants 2014

Foi assim no Lavaredo Ultra Trail em 2016.
Foi assim na Extreme Gerês Maratthon de 2017

Será assim no PTGA no próximo mês.

Será assim na Sky Maratthon Serra Amarela.

Será assim no Estrela Grande Trail.

Destes eventos todos, os únicos que “não tive culpa” (estava muitíssimo bem preparado), foram os dois primeiros TdG. 2014 e 2015.


Tor des Geants 2015
Em 2014, um pouco antes de chegar aos 200 km, uma escorregadela numa descida de grande inclinação, originou uma rotura no quadríceps da perna direita. Resultado: abandono prematuro

Em 2015, parti para Itália com uma vontade “louca” de me “vingar” do insucesso do ano anterior. 100% preparado. Só que ninguém previa que o S. Pedro fosse tão implacável. De tal maneira implacável (-21º nos picos por onde fui passando), que a organização viu-se forçada a suspender definitivamente o evento depois de duas interrupções de 5 e 4 horas e depois de ter transportado para o hospital mais de 80 atletas com hipotermia.


Tor des Geants 2017
Em 2017, depois de 8 meses de treino cumprindo rigorosamente o plano traçado, 9 dias antes do início da prova, 1 de Setembro de 2017, no final de um dos últimos treinos de relax, uma rotura num dos gémeos, levou a que tivesse que fazer um “contra-relógio” de fisioterapia. Uma mazela que em circunstancias normais levaria um mês a soldar, fui com 6 sessões de fisioterapia, 9 dias após a rotura.

Claro que sabia que não iria chegar ao fim, mas a despesa estava toda feita e lá vai ele e no dia 10 de Setembro, na companhia da minha filha Célia Sampaio e companheiro (estes dois para me darem assistência), lá estava-mos na partida. Infelizmente apenas deu para subir 3 dos 25 picos com cerca de 2800 metros de altitude. Encostei às “boxes” incapaz de dar mais um passo…


Tor des Geants 2017
Em 2016, com um tendão (supraespinhoso) partido/rebentado, na companhia da minha filha Célia Sampaio, lá estávamos nós em Cortina d’Ampezo para iniciar e fazer os 120 km de Lavaredo Ultra Trail…. O ombro apenas permitiu que chegasse-mos aos 77 km. Por solidariedade, a Célia desistiu também…


Lavaredo Ultra Trail 2016
Nesse mesmo ano (2016) Janeiro, quando ainda estava “direitinho”, inscrevi-me para além do Lavaredo Ultra Trail, também para o 4 K.

Prova semelhante ao Tor des Geants, no mesmo percurso mas com sentido contrário e com mais cerca de 20 km (350 km).

Quando regressei de Lavaredo em Junho, tratei logo que me operassem. Fui operado no dia 24 de Julho, entrando em recuperação.

Claro que quando parti em Setembro para Itália ainda não estava minimamente em condições de concluir uma monstruosidade de prova. Mas também a despesa estava feita lá vai ele na companhia do meu amigo Diogo Simão (que completou essa prova).


4 K 2016
E no dia certo, lá estava-mos os dois na companhia da Inês (mulher do Diogo), que foi dar assistência ao marido e se eu “tivesse pernas” a mim também, partindo logo rumo aos 3.300 metros 10 Km mais à frente.

Só tive “gasolina” para 44 km. Quando cheguei aos 41, tive que retirar a mochila das costas,que pesava cerca de 7 kg e levá-la na mão.


4 K 2016
O ombro já não admitia nada em cima dele…

Em Dezembro de 2017, já recuperado e preparado da rotura agravada após Itália, 6 dias antes da Extreme Gerês Maratthon (27de Novembro), uma gastroenterite, levou-me a ir passar a noite ao hospital para levar soro.

Dia 28, ao fim da tarde nova visita ao “hotel de Sta. Luzia”, para levar mais soro. Dia 28 29 e 30, só consegui beber alguns (poucos) líquidos.


Extreme Gerês Maratthon 2017
Na manhã de dia 1 de Dezembro, às 9horas da manhã este menino estava na partida daquela que é a mais difícil maratona do Mundo, com menos 3 kg de peso e um copo de sumo de laranja no estômago…

Mas na companhia da Fernanda Esteves que estava tão debilitada quanto eu (pelo caminho vomitava-mos à vez.. ora agora vomito eu ora agora vomitas tu…), lá chegamos ao fim depois de mais de 6 horas palmilhando caminho.


Extreme Gerês Maratthon 2017
2018. Depois do Foz Côa Trail Adventure que correu 5 estrelas, estava entusiadíssimo para participar no PTGA (200 km), foi acontecer mais este percalço:

Fractura maléolo externo e rotura do ligamento deltoide imobilizada com placa e parafusos… impedindo-me de ir correr correr o PGTA o Sky Maratthon Serra Amarela e o Estrela Grande Trail.

Esta fractura ocorreu 6ª feira dia 13…. Perante tudo o que acabei de relatar, cheguei à conclusão de que 
Afinal há mesmo “bruxas”!


Gondar Rota das Capelas 2018
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Tor des Geants 2017

Tor des Geants 2015

Extreme Gerês Marathon 2017

Extreme Gerês Marathon 2017

Tor des Geants 2014

Tor des Geants 2015


Gondar Rota das Capelas 2018
Extreme Gerês Marathon 2017
Lavaredo Ultra Trail 2016
4 K 2016
Extreme Gerês Marathon 2017


Tor des Geants 2015
Lavaredo Ultra Trail 2016

Quim Sampaio – Ultra Trailer

19/04/2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

SERÁ QUE NUM FUTURO VAMOS TER “VELHINHOS” A FAZER ULTRA TRAIL’S?


Partida Torre/Piódão
Depois de muito ver e ler através das redes sociais centenas de Ultra Trail’s e milhares de fotos dos mesmos, levou-me a interrogar se daqui a alguns anos vamos ter a correr por esses montes algum dos chamados ”velhinhos”.

Esta interrogação deve-se a constactar que cada vez são mais novos os atletas que fazem 100Km ou mais e ainda mais preocupante o espaço temporal que levam a essas distâncias.

Chegada TransEstrela
O trail “é giro, está na moda, vamos lá fazer um Ultra”. Há quem comece hoje a correr e, 4 ou 5 meses depois, aí estão à partida de uma distância de 3 dígitos!!!…

Recordo-me que quando em 1986 comecei a correr, durante 5 meses o treinador não permitia que corresse mais que 10 km e os treinos nunca poderiam ultrapassar 1 hora. Ao fim de 5 meses começou por permitir mais tempo de treino, chegando à 1h30 e aos 15 km de prova. Andei durante bastante tempo a correr montanha na “clandestinidade”… e a distância máxima eram 20 km, havendo apenas duas provas anuais que ultrapassavam essa distância: Torre Piódão (31 km) e TransEstrela (51 km)!

Torre/Piódão
Foram muitas dezenas de meias maratonas de estrada e maratonas de montanha, até fazer uma ultra de 100 km! Passaram-se 16 anos. 16 anos de endurance para que tivesse terminado os 100 km cumprindo os objectivos que me tinha proposto.

Em face do exposto, leva-me a concluir (ou não) que quando o Quim Sampaio, o Carlos Natividade Silva, o Jorge Serrazina, o Vitorino Coragem Coragem, o Rui Pedras, a Célia Azenha, a Glória Serrazina, a Fernanda Esteves e outros mais “arrumarem as botas", se voltaremos a ter “velhinhos(as)” a calcorrearem esses trilhos pelos montes e vales deste País.

TransEstrela após 51 km



Quim Sampaio
Ultratrailer

3 Novembro 2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

Gerês Extreme Marathon

Extreme Geres Marathon - Finisher
Desde o passado dia 1 de Setembro que a minha vida de Atleta sofreu uma volta de 180º.

Mesmo sem ter a mínima certeza que iria ter acesso ao Tor des Geants, no dia 1 de Janeiro iniciei a preparação específica para esse evento. Tudo correu de acordo com o planeado até Agosto.

Foram mais de 3.500 km de montanha. Durante o mês de Agosto, a preparação continuou também dentro do programado.

No treino do dia 1 de Setembro, a 9 dias do início do grande evento, sofri uma ruptura grau 2 no gémeo esquerdo. Foram 7 dias de descanso e intensa fisioterapia.

Quero abrir aqui um parêntesis e agradecer publicamente à Terapeuta Natália Amoedo que teve um trabalho fantástico e dedicação no sentido de “colar o músculo roto”, mas isso só é inteiramente possível com o tempo e tempo era o que não havia, mas não desistiu.
Os 4 Tugas no TdG

Não desistiu ela e não desisti eu e no dia 10 de Setembro lá estava à partida (asneira) e à contagem zero eu, Carlos Sá, César Duarte, Paulo Rodrigues, mais 800 e tal atletas lá fomos montanha acima. Não durou muito. Chegado ao 1º Suporte Base de Vida (52km) encostei às boxes…

Resultado, tive que antecipar o regresso a Portugal e recomeçar com a fisioterapia. E a lesão grau2, passou a 3…

Valgrisenche 1º SBV, já com perna "nova"
Parado novamente, assim me mantive até 18 de Novembro. Nesse dia, fiz um treininho com bastante medo e como nada me doeu, fiz mais 4 já sem receio. Diz o ditado que um azar nunca vem sozinho, Domingo dia 27, uma súbita gastroenterite obrigou-me a fazer uma visita ao hospital passando a noite a soro. Como a “coisa” continuava “descontrolada”, dia 28 mais uma nova visita ao hospital…. Resultado de Segunda feira até Sexta, não comi nada e tudo que bebia saía pelos “dois lados”… perdi um pouco mais que 3 kilos mas no dia 2 de Dezembro lá estava à partida (sem conseguir comer nada ao pequeno almoço e durante a prova apenas em dois abastecimentos bebi um copo de xá) para fazer os 42 km da Gerês Extreme Maratthon.

Fui o ÚLTIMO Atleta a cortar a linha de meta, mas com muito ORGULHO!

Consegui, sofri muito ao longo de cerca de 6 horas e meia, mas cheguei ao fim! De mais de 400 à partida, cheguei em 314 quer dizer que muitos houve que desistiram…

Até para o ano Carlos Sá.

3 Dezembro 2017


Quim Sampaio - Ultratrailer

quarta-feira, 1 de março de 2017

Estarão a matar o Trial Running em Portugal?

REFLEXÃO




ESTARÃO A MATAR O TRAIL RUNNING EM PORTUGAL?

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Como é do conhecimento de alguns Atletas, iniciei-me nestas “andanças” diga-se corridas de montanha com e sem trilhos, há cerca de 30 anos. Nessa altura, a grande dificuldade que existia, era conseguir descobrir um evento desses. Não havia telemóveis, não havia internet, não havia redes sociais. A informação chegava através de panfletos distribuídos nas corridas de estrada. Mas raramente havia essa distribuição porque simplesmente quase que não haviam corridas de montanha. Apenas 3 ou 4 por ano… Há um ditado popular que diz o seguinte: “não há fome que não dê em fartura”. É verdade, nada mais apropriado ao actual estado do trail em Portugal. 


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A dificuldade que havia nos anos 80 para conseguir correr em montanha, neste momento acontece a mesma coisa mas no sentido inverso. Por cada fim-de-semana, são tantas em tantos locais por esse País fora, que torna-se menos stressante se escolhermos         “de moeda ao ar”.


Depois do nosso amigo Zé Moutinho ter trazido para Portugal a palavra Trail Running com que batizou a sua Serra da Freita em 2006, a Geira Romana no ano seguinte e o MIUT houve apenas uma organização (Amigos da Montanha) que em 2010 usou também essa denominação. Em 2011 Já eram 3 Organizações: Zé Moutinho, Carlos Sá, Amigos da Montanha.


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Daí para cá é o que se sabe. Qualquer clube, comissão de moradores, casa do povo, centro sociai ou paroquial, camara municipal, junta de freguesia, Bombeiros, loja, lojinha, ou simplesmente a nível individual, organizam um Trail. Se observarmos nos meios em que estão programados esses eventos, veremos que são trail’s curtos trail’s longos, são ultra trail’s. E isto a uma média de 8/9 por cada fim-de-semana.

Até aqui tudo bem, de momento que hajam Atletas (o que nem sempre acontece) para dignificarem o Trail e o que ele representa, que hajam organizações que saibam o que estão a fazer (escolha de percursos, marcações, abastecimentos, segurança em todo o percurso, cumprir e fazer cumprir o respeito pelo meio ambiente e natureza), tudo bem. Acontece porém que segundo relatos que me chegam e outros que eu constacto, isso numa grande maioria não acontece. Preocupam-se apenas com os “$$” que possam obter. E em minha opinião são estas organizações que estão a matar o Trail em Portugal.


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Não sou saudosista, mas recordo com saudade o tempo em que as corridas de montanha (o “trail” dessa época) serviam não só para desfrutarmos e respeitarmos a Natureza, como estreitarmos cada vez mais em cada prova o sentimento “familiar” que se respirava prova após prova. Era uma família grandinha…

 Nessa altura não havia a quantidade de suplementos alimentares que hoje há, mas havia alguns. Quando a organização ia levantar as marcações, não encontrava um invólucro de gel no chão, uma garrafa de água ou algo que prejudicasse a Natureza e o meio ambiente.

Infelizmente hoje há atletas??? Que desrespeitam esses princípios de “deixa o percurso mais limpo do que quando por lá passou o 1º Atleta”.

Ainda no passado fim-de-semana no levantamento das marcações do Trail de Gondar, eu e os meus colegas “vassouras” para além dos invólucros do gel e das barrinhas energéticas, encontramos espalhadas pelo trilho dezenas de garrafas de água vazias. Evento que me convidem para “Padrinho”, só aceitarei se nos abastecimentos não houver garrafas de água. O regulamento pode incluir uma alínea de obrigatoriedade de o Atleta ser portador de um recipiente para encher os líquidos. Se o não levarem, não bebem!

Há duas semanas atrás tive a honra de ser o “Vassoura” do PGTA. Foram 7 etapas que para além de acompanhar o último Atleta, levantei toda a marcação. Só numa dessas etapas, é que encontrei um invólucro de um gel, mas tudo me leva a crer que teria caído sem o Atleta dar conta, caso contrário teria encontrado muitos mais.

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30Abril 2017



Quim Sampaio - Ultratreailer

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

PGTA – Peneda Gerês Trail Adventure – 2017

PGTA – Peneda Gerês Trail Adventure – 2017

A convite do grande campeão Carlos Sá, tive a honra de ser o responsável da limpeza dos trilhos e levar a bom termo o(os) ultimo(os) Atletas até à meta, tarefa essa conhecida como o “Vassoura” e neste caso “Vassoura Internacional”…. Umas vezes acompanhado, outras sozinho, a tarefa foi excelente. Não só levei a “bom porto” a calda do pelotão, como evitei que alguns Atletas tenham desistido, não é assim Teffany? Não é assim Marcos? Não é assim Fernanda?


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Foi uma semana sensacional. A partir do primeiro dia, formou-se uma autentica família. Havia Atletas já conhecidos de edições anteriores e de outros eventos, mas muitos deles vimos pela primeira vez. Apesar de haver 22 nacionalidades, a língua nunca foi problema. Quando a voz “não dá”, fala-se com as mãos…

1ª Etapa (noturna). Comecei por acompanhar uma Atleta Americana durante algum tempo, mas ela “pirou-se” e fiquei até final com um grupinho (8 Atletas) Brasileiro.


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2ª Etapa, Arcos/Arcos. Tive a companhia da colega de equipa (D+) Gi Pereira (42 km) e da Sílvia (16 km). A Atleta que durante 8 km me fez companhia foi Anne Marie, Atleta Francesa. Aos 8 km “entreguei-a à Sílvia e fui atrás da Gi que acompanhava o último dos 42 km. Apanhei-a já perto das Portas do Mesio, onde tinha “ficado” o Peh. Tentei convencê-lo a acompanhar-nos mas não foi na “treta”… ficou pelo Mesio. Entretanto continuando a correr e levantar as marcações, conseguimos apanhar os outros dois Atletas de Singapura, Tiffany e Yoaming Tan que iam com a intenção de ficar no último abastecimento. Consegui demovê-los (envergonhando-os) … e foram a correr até à meta.


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3ª Etapa, Sistelo/Melgaço. Tive a companhia do Paulo Morais que acompanhou a Anne Marie até à Branda da Aveleira (aqui ficou o Paulo e a Anne Marie) e eu segui com a Anne Langstaff até Parada do Monte. Daqui até Melgaço segui sozinho, não encontrando ninguém pelo caminho…

4ª Etapa, Peneda/Lindoso. Até ao 1º abastecimento segui sozinho, acompanhando primeiro a Anne Langstaff e depois mais um grupinho de Brasileiros. A partir do 1º abastecimento tive já a companhia da Daya até ao Suajo, e depois um outro Atleta que esqueci o nome… até ao Lindoso.


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5ª Etapa, Pitões das Júnias/Montalegre. Agradável companhia da Daya e Paulo Morais até ao 1º Abastecimento (Covelães). Em nossa companhia seguia o casal Brasileiro Bilkis Cardoso e Giuliana Zanatta que ia passando mal dos intestinos.
Acabou por ficar em Travassos do Rio. Depois de a meter num transporte para Montalegre, voltei ao trilho seguindo até Cambeses do Rio, onde tive a companhia do Bruno, filho do Carlos Sá, até Montalegre.


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6 Etapa, Ponte de Misarela/Gerês. Até ao Gerês tive a agradável companhia da Olga Martins e os dois fomos “acompanhados” pelo Marcos Paulo, que a exemplo da Giuliana, também ia passando bastante mal. Mas levámo-lo até ao Gerês…

7ª Etapa, Gerês/Gerês. Foi a etapa mais calma e mais agradável pois tive a companhia de 3 senhoras… Olga, Sílvia e a Atleta Fernanda Esteves, esta com o problema da Giuliana e Marcos. As duas “Vassouras” tiveram a “árdua” tarefa de levantarem todas as marcações. Eu apenas acompanhei a Fernanda, porque ela não estava mesmo bem… Tarefa bem-sucedida, chegou a bom porto.


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Tive oportunidade de falar com muitos Atletas sobre os dias que passamos juntos. Foram unânimes em catalogar este evento como o melhor que até então tinham feito. Organização sem falhas, trilhos espetaculares, marcações impecáveis, paisagens lindíssimas, abastecimentos suficientes e com qualidade, dormidas do melhor, refeições espetaculares, enfim os que não conheciam ficaram fãs prometendo estarem presentes em 2018, os que já conheciam reforçaram a opinião positiva que já tinham e se tudo correr bem voltarão. Talvez seja um pouco suspeito para comentar este grande evento, mas é o que penso. E o que penso é que é o maior acontecimento de Trail a nível Nacional, podendo ombrear com o que de melhor se faça lá fora.




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Venha depressa Maio de 2018

Quim Sampaio - Ultratrailer